História de São Geraldo do Araguaia

História

A trajetória de luta, fé e superação de São Geraldo do Araguaia

O Berço de São Geraldo

A história de São Geraldo do Araguaia começa no final da década de 1940, com o garimpo manual de cristal de rocha no "Garimpo do Chiqueirão", localizado na margem direita do rio Araguaia (hoje município de Xambioá/TO). Quando a jazida se esgotou, os garimpeiros, ao invés de retornarem às suas terras natais, viram na região uma oportunidade. Dedicaram-se então à coleta de castanha-do-pará e ao plantio de culturas de subsistência, principalmente arroz.

Em 1953, o comerciante João Rego Maranhão construiu um barracão próximo à foz do rio Xambioá, na margem esquerda do Araguaia, para comprar castanha e produtos dos pequenos agricultores que desciam os afluentes. Ao redor do barracão, muitas famílias foram construindo suas casas, formando o primeiro vilarejo.

Dona Leocádia, esposa de João Rego, não conseguia engravidar. Fez uma promessa: se tivesse um filho, daria a ele o nome de Geraldo, em honra a São Geraldo Magela (santo italiano). Ela teve o filho e cumpriu a promessa. Quando a criança morreu precocemente, a comunidade ergueu uma capela dedicada ao santo e ao menino falecido. Assim nasceu o nome: São Geraldo do Araguaia.

"Onde o Brasil Silenciou"

Entre 1972 e 1975, a região de São Geraldo do Araguaia foi palco da Guerrilha do Araguaia – o maior movimento de resistência armada contra a ditadura militar brasileira.

A guerrilha foi organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Os seus membros instalados clandestinamente na mata prestavam assistência médica e alfabetização aos camponeses, buscando recrutar apoiadores.

Quando o governo militar descobriu a base, desencadeou a maior operação de contrainsurgência do país desde a Segunda Guerra Mundial: cerca de 3.200 militares e 12 aviões foram mobilizados. A repressão foi brutal. Dezenas de guerrilheiros foram mortos ou desapareceram. A população ribeirinha sofreu com buscas e destruição das suas propriedades.

Com o fim da guerrilha, o governo rebatizou a Serra dos Martírios como Serra das Andorinhas, numa tentativa de apagar o episódio. Mas a verdade histórica, hoje, é resgatada pela própria comunidade, que não esquece.

“Os moradores do local, que nem sabiam o que era regime militar, perseguição política, democracia ou comunismo, sofreram todos os tipos de perdas que estão intrínsecos numa guerra.”

— Prof. Juvenal

Comboio do exército na Serra

Operação militar na Serra (acervo histórico)

Corpo de J.C. Haas

Registro de um dos combatentes na selva

A guerrilha durou aproximadamente três anos. Estima-se que mais de 70 pessoas tenham desaparecido ou sido mortas. A região só começou a se reerguer após a criação do GETAT e a abertura de estradas, trazendo um novo capítulo de desenvolvimento para o Araguaia.

Liberdade e Ancestralidade

Após a guerrilha, a vila precisava de autonomia. Durante anos, São Geraldo foi um distrito subordinado a Conceição do Araguaia e, depois, a Xinguara. A população organizada, através de associações e abaixo‑assinados, lutou pela emancipação.

No início da década de 1980, uma grande enchente submergiu a área baixa onde estava o povoado. O então prefeito de Conceição do Araguaia, Giovanni Queiroz, adquiriu terras na parte alta e as loteou entre os moradores, formando a nova vila que viria a ser a sede do município.

Finalmente, em 10 de maio de 1988, o governador Hélio da Mota Gueiros sancionou a Lei nº 5.441, criando o município de São Geraldo do Araguaia, desmembrado de Xinguara. A instalação oficial ocorreu em 1º de janeiro de 1989, com a posse do primeiro prefeito, Raimundo Silveira Lima.

1988

Emancipação

400+

Cavernas

2001

Parque Estadual

Pesca Esportiva

O Rio Araguaia é um dos maiores paraísos da pesca esportiva do Brasil. Tucunaré, piranha, matrinxã e pirarucu habitam as suas águas cristalinas.

Grutas e Cachoeiras

A Serra das Andorinhas (antiga Serra dos Martírios) esconde cachoeiras, grutas calcárias e pinturas rupestres milenares, sendo um dos sítios arqueológicos mais importantes do país.

Agropecuária & Povo

A pecuária é a vocação econômica. Os moradores abandonaram os castanhais e se concentraram em vilas como Novo Paraíso, Fortaleza, Dois Irmãos, Vila Nova, Santa Cruz e Sucupira.

Dados do Município

Localização

Microrregião de Redenção, Sudeste do Pará.
Coordenadas: 06º 23' 18" S, 49º 32' 54" O

Área e População

Área: 3.269,54 km²
Densidade: 8,4 hab/km²

Aniversário

10 de maio – Emancipação política (1988)
Instalação do município: 1º de janeiro de 1989